DICAS DO NEWTON C. BRAGA
Radiadores de Calor
Em
qualquer meio que uma corrente circule e que apresente uma resistência elétrica,
a energia elétrica é convertida
Newton
C.

(figura
1)
Um fluxo de calor sempre vai ocorrer entre dois corpos que estejam com temperaturas ambientes, se existir um meio para isso.
A
diferença de temperaturas entre o componente e o meio ambiente determina a
velocidade com que o calor gerado no processo é transferido. Assim, chega o
instante em que o calor gerado e o transferido se igualam quando então a
temperatura do corpo que o gera se estabiliza. A transferência do calor gerado
para o meio ambiente depende de diversos fatores como, por exemplo,
a superfície de contacto do componente com o meio ambiente; a capacidade
que ele tem de conduzir o calor do ponto em que ele é gerado até o ponto de
contacto com o meio ambiente e finalmente a diferença de temperatura entre
esses dois pontos. Podemos comparar a diferença de temperatura entre o ponto em
que o calor é gerado (componente) e o meio ambiente (ar que o circunda) com a
diferença de potencial elétrico entre os dois pontos. O fluxo de calor entre
os dois pontos é feito por um percurso de modo semelhante a uma corrente.
Assim, temos um circuito "térmico" em que existe uma "resistência"
que deve ser vencida pelo calor para chegar ao meio ambiente. Se a resistência
for elevada, ou seja, houver dificuldades para o calor gerado numa pastilha de
um componente, por exemplo, um transistor ou um circuito integrado, chegar até
o meio ambiente, sua temperatura se eleva, pois deve haver "maior tensão"
para o calor sair, vencendo a oposição encontrada. Veja que, com o aumento da
"tensão" que no caso é a temperatura, temos maior "pressão"e
com isso aumenta o fluxo de calor, de modo que chega um instante em que ocorre o
equilíbrio da situação: a quantidade de calor gerado é igual à quantidade
de calor transferido para o meio ambiente.

(figura 2)
O
equiíibrio ocorre quando a quantidade de calor gerado é igual à quantidade de
calor transferido.

A
quantidade de calor que pode ser transferida para o meio ambiente depende da
superfície de contacto do componente com este meio.
a)
Contacto
Os
metais são bons condutores de calor. Assim,
a montagem de componentes eletrônicos em contacto com superfícies maiores de
metal, desde que não haja contacto elétrico, mas somente térmico, ajuda na
transferência do calor. Para pequenos transistores, transistores de média potência
e mesmo circuitos integrados, uma solução para o problema da transferência do
calor consiste em montá-los encostados numa superfície de metal
maior, capaz de ajudar a absorver e transferir para o meio ambiente o
calor gerado. Na figura 4 temos uma solução adotada para o caso de
transistores de média potência e mesmo de alta pot6encia, como os BD135, TIP31
e FETs de potência quando eles não operam com sua potência máxima.

(figura
4)
Uma
área cobreada de uma placa de circuito impresso serve de dissipador de calor
para certos componentes.
O
componente aquecido transfere o calor para o ar ambiente que então se aquece. O
ar aquecido é mais leve que o ar frio a sua volta e por isso tende a subir.
Forma-se então uma corrente de ar quente ascendente sobre o componente que
"leva o calor" para cima. Nos
aparelhos de alta potência é importante deixar orifícios de ventilação para
que esse ar quente seja expelido. Temos então furos por baixo por onde entra o
ar frio e furos por cima por onde sai o ar quente.

(figura 5)
Pequenos
ventiladores ajudam a eliminar o calor gerado por componentes. Eles consistem no
recurso que se denomina ventilação forçada.
c)
Irradiação
OS
RADIADORES DE CALOR
Evidentemente,
muitos dos componentes eletrônicos sozinhos, não podem transferir todo o calor
geram para o meio ambiente. Se usarmos recursos que facilitem a transferência
do calor gerado em maior quantidade, deixando o elemento principal do componente
numa temperatura satisfatória, ele pode operar de modo mais eficiente sem
perigo de dano. O recurso usado para ajudar um componente a transferir calor
para o meio ambiente é o radiador de calor ou dissipador de calor. Este
elemento aproveita todos os três modos de transferência de calor para o meio
ambiente. Assim, a quantidade de calor que um radiador de calor pode transferir
para o meio ambiente depende basicamente dos seguintes fatores:
a)
Tamanho
Na
realidade, o que deve ser levado em conta é a superfície do radiador de calor
que tem contacto com o meio ambiente. Para aumentar esta superfície, os
radiadores são construídos com muitas dobras ou aletas, conforme mostra a
figura 6.

(figura
6)
As
aletas aumentam a superfície de contacto com o meio ambiente facilitando assim
a dissipação do calor.
Vale
então a superfície de contacto de todas as aletas com o meio ambiente. Obtém-se
assim uma superfície muito grande mesmo utilizando-se um componente que ocupa
um volume relativamente pequeno, conforme damos a entender no tipo mostrado na
figura 8.
Para
os casos em que a potência que se deseja dissipar não seja tão grande, uma
simples chapinha fixada no componente, ou ainda dobrada na forma de
"U" ou "L" já pode dar resultados satisfatórios, conforme
mostra a figura 7.

(figura
7)
Dissipadores
menores podem ser feitos com simples chapas dobradas em L ou U.
b) Contacto
Deve
haver um contacto físico que facilite a transferência de calor entre o
componente e o radiador. De modo a melhorar este contacto, diversos são os
recursos que podem ser utilizados. Um deles consiste no uso de uma pasta térmica
que é feita a base de silicone, um bom condutor de calor. Tanto
o componente como o radiador são untados com esta pasta antes da montagem,
conforme mostra a figura 8.

(figura
8)
Pastas
térmicas ajudam a transferir o calor por contacto entre o componente e o
dissipador. Passando pasta num componente antes de colocar o dissipador.

(figura
9)
Isoladores
elétricos como a mica, mas com grande capacidade de condução de calor, são
utilizados entre o dissipador e o componente.
CONCLUSÃO
Transistores
de potência, MOSFETs de Potência, SCRs e Triacs, circuitos integrados de potência
geram muito calor quando funcionam em suas condições-limite ou próximas
disso. A temperatura elevada desses
elementos é normal até certo valor, pois da diferença entre ela e o meio
ambiente é que depende o fluxo de calor. No entanto, o montador deve estar
muito atento para o instante em que os limites são ultrapassados. Verificar a
eficiência de um radiador, garantir sempre o contacto do componente com
radiador e nunca impedir sua ventilação são fundamentais para que o circuito
térmico de seu aparelho funcione perfeitamente.